O BLOG DAS EXIGENCIAS DO SABIMBI

Tributo À Loucura

sábado, 1 de dezembro de 2007

«Loucura, minha amante de rua, minha meretriz de quarto! Minha amada, meu amor insano! Meu desejo mais profundo e obscuro! Tenho vergonha, e ao mesmo tempo perco-a, porque deste-me a mão neste momento, e no outro anterior, e apenas no próximo é que tu realmente te inseres em mim, pelos meus poros pelos meus vasos sanguíneos pelos meus capilares pelos meus órgãos, todos eles, invades-me tiras-me o fôlego roubas-me a alm...AAAH

Faço uma respiração! Subir a esta laranja custa! Oiço gritos lá longe, são os pássaros que perderam a capacidade de voar! Não pederam, fora-lhes tirada! Ficaram sem ela por quebrarem o seu juramento: O de servir justa e honesta e leal o céu, sem recorrer à mente! Pelo menos recorrendo poucas vezes. Ela estraga!
Ela apodrece! Qual ácido que destrói a epiderme, e a derme, deme, drme, derem... querme... quemde.... Quem me dera que os irradicassem a todos!
Os que têm medo de me seguir! Aqueles que temem deixar de lado a pontuação! Aqueles que se regem pelas regras, e não mais veêm, senão as regras: as de etiqueta, que não os deixam viver, na verdadeira base da palavra, as de boa educação, que os torna uns falsos fúteis fracos, e as de bem escrever, que faz deles uns acéfalos entristecidos, que debitam letras, e uns tantos palavras, e uns poucos frases, e há aqueles com a ousadia de lhes chamarem textos! Mas há também os criminosos, os que repetem e enumeram e metaforam e comparam e personificam e anaforam e antitesiam e fazem treta de várias linhas, chamando a isso tudo "livro" Livo...Lixro...Nojo é o que eu chamo! Futebolistas e donas de alterne desesperadas, ousam assassinar de ataque cardíaco os leitores, e os editores vão na cantiga. Não só vão, como fazem os vocais de apoio! Cantam todos em uníssono a nossa dizimação!
A dos que se atrevem a quebrar regras dizendo, por e simplesmente: Mais bom. Acho que passei a linha do politicamente correcto! A linha da merda! É como eu a chamo! A linha que faz com que cada um pegue na sua inspiração, seja ela duradoura ou passageiro, e a transfira para um papel, virtual ou real, aparando as arestas! As arestas, que dão a verdadeira riqueza ao texto, as arestas que fazem com que quem aprecia, se perca a meio, e se interesse por se encontrar, no meio das entre-linhas! Eles cortam-nas! As palavras que ofendem, e causam aquele som na audiência: tssssss!
Pois sabem que mais? Merda para o tss. Eu não sou politicamente correcto, eu sou apenas um sem-mente, que escreve o que lhe vem a ela mesma! Sou um pobre afortunado, que recebe visitas de seres mais superiores, que muito de vez em quando me usam para debitar versos em prosa capazes de chocar qualquer académico que trauseunte por aí!
E faço-o com muito gosto! "Morte ao Dantas", diz o outro? Morte aos acéfalos que se acham céfalos e que acham os seus livros bens inexoráveis da pátria.»



Ricardo Ferreira in Título

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